segunda-feira, 7 de maio de 2018

Carta N. 04 - 07/05/18

Ontem, eu mandei mensagem pra minha terapeuta, queria saber se era possível continuar chorando e sentindo falta de você como no dia em que nos separamos.
Queria saber qual era o tempo do luto.
Queria saber por quanto tempo era normal sofrer.
Queria saber, na verdade, quando isso vai passar.
Quando você vai sair de mim, se desvencilhar, se diluir no meu passado.
Quando você será só um borrão de um tempo poluído?
Eu não sei.
Não tenho resposta.
Só tenho saudades por ora.

quinta-feira, 3 de maio de 2018


Carta N. 03 - 03/05/18

Há tanta coisa que eu gostaria de te contar, mas nem sei se você estava lá quando eu contava. Aliás, eu acho que você esteve em algum momento, mas, na maioria das vezes, era vazio.
Quanto mais procuro, mais defeitos e falhas acho em você, mais vejo o quanto você era distante.
E, ainda assim, eu te quero, mas não quero aquele, quero você mudado, renovado. Você não virá mudado e tampouco é racional que ainda te queira.
Como explicar essa lógica infeliz?
Como posso me amar tão pouco a ponto de querer seus defeitos?
Acho que preciso repensar essa premissa. Preciso me reconfigurar, me amar pra te esquecer.
Eu me comparo com outras, procuro defeitos em mim, me desvalorizo e esqueço que o seu abandono e o fato de você não me querer mais não é responsabilidade minha, mas sua.
O problema é todo seu.
Dia desses, eu esqueci quais eram as minhas qualidades, quais eram meus valores e me comparei com outras usando parâmetros objetivos como beleza e inteligência.
E, na verdade, essa lógica está deturpada porque eu era especial pra você por outros motivos, eu sei que era especial pelo amor, pela bondade, pelo cuidado com o outro, pelo otimismo e pelo espírito grande que venho moldando.
Qualquer coisa que saia disso ou exija outros parâmetros não me importam porque não fazem do ser essencialmente bom.
E se você não reconheceu tais singularidades o problema é estritamente seu.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Carta N. 02 - 02/05/18

Hoje eu não sonhei com você.
Você não invadiu meus sonhos, mas invadiu minha manhã.
Devassou meu pensamento e me trouxe algumas lágrimas.
Eu acordei e estou em aula, meu corpo está aqui, estou arrumada, íntegra, mas meu peito segue vazio.
Meus olhos seguem ermos.
Há um oceano de dúvidas pelo simples fato de você não ter me amado.
É difícil entender isso ainda.
É difícil enfrentar um dia inteiro ainda.
É difícil estar só.
Nunca te vi como um amor romântico, mas te vi como companheiro.
Como minha resposta de bom dia.
Como aquele que me entretinha com piadas sem graça, que eu amava porque elas eram pra mim.
E eu ria, ria por sua felicidade, ria por nós.
E não há mais nada porque nunca houve.
Era eu rindo pra você ausente.
A consciência da ausência é de uma magnitude impressionante.
E mais um dia se faz sem brilho, sem esperança e sem sonho.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Eu não queria ter que me apaixonar por outras pessoas. Queria ter tido a alegria de só ter me apaixonado e permanecido assim.
Acho que essa é a pior dor do nosso término.
É o fato de você ter deixado que eu encontrasse outro amor.
Que eu vou me recuperar? Isso é certo..
Mas eu não queria ter que te esquecer.
Porque capacidade de amar eu tenho muita, queria só que você tivesse entendido que eu havia feito a escolha de apenas amar você.

Cartas de um término


Carta N. 01 - 01 /05/18

No dia 17 de abril de 2018, nós terminamos e, desde então, minha vida tem sido sentir sua falta e chorar. Chorar pela história não vivida, pelo romance que morreu, pelas inúmeras interrogações. Eu choro quase todos os dias de um jeito que nunca pensei chorar. Sinto uma dor enorme e uma incompreensão que o sábio tempo vai curar.
Mas, enquanto ele age de acordo com seu ritmo, eu falo de você pra todo mundo, falo pra tentar entender e pra depurar os eventos rápidos, nefastos e duros pelos quais passei. Mas de tanto falar para as outras pessoas do mesmo tema, sinto o cansaço geral em ouvir a mesma ladainha.
E na verdade, não adianta, nada que eu disser te tratará de volta.
Assim, para evitar o afastamento de alguns amigos, resolvo escrever essas cartas como uma forma de desabafo e de acompanhamento desse processo. Escrevo pra ninguém nesse terreno extenso chamado internet.
São escritos ao vento de alguém que está se curando.
Falando de hoje, sim, eu já chorei, já não entendi e sofri. Já acreditei no seu retorno com o tempo. Já não te quis mais, já quis e já senti vazio.
Tudo em poucas horas acordada.
Já me perguntei o porquê de você nunca ter me amado, de ter me feito sofrer, tirado minha alegria na surdina ou, ao menos, naquilo que eu via como surdina.
Porque eu não escutei seus sinais.
E você não lutou, você queria liberdade, você já encontrou outra.
Já me descartou, assim como descartou nossas memórias.
Eu sofro a cada passo.
Sofro de pensar em viver sem você. Criei um amor no vazio do seu peito, tentei nos dar esperança de redenção em um mundo tão desamado.
Mas não era o que você queria, pelo menos, não comigo.
E veio o fim.
Vieram as memórias do fim.
Começou todo meu processo de esquecimento: comecei a apagar suas fotos, mensagens, cortar laços e guardar essas memórias para o futuro, para um momento em que eu consiga ver e enxergar ali só memória de um tempo que eu nem sei mais se foi bom, porque não sei se foi recíproco e não veja nelas esperança, nem as interrogações de suas escolhas.
Escolhi viver o luto. Escolhi não me enganar. Se te amei de forma genuína, o sentimento não se vai assim, num estalar de dedos, como foi pra você.
O sentimento perdura e deixo-o viver por um tempo porque sei que vou me curar. Então eu choro e minha mãe se preocupa e eu também me preocupo porque não sabia o que era sofrer assim.
Mas deixo o sofrimento hoje aqui, deixo-o retornar ao ninho porque minha fé me faz saber que esse sofrimento não será perene. Ele é só passageiro de um coração que foi atacado e se recupera.
Reajo lentamente. A vida não está igual. Mas eu vou prosseguir, vou me refazer, mais forte, sábia e definitivamente pronta pra quem saiba e queira me amar, me valorizar e enxergar em mim todo o projeto de amor que justifica a existência.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

eu ainda não consegui depurar todas as minhas sensações e hoje é preciso tentar. esperei muito o que você não queria e não podia me dar. eu vi um futuro enquanto você via conveniência. você foi embora porque não queria compromisso e essa é uma falta sua. uma precariedade sua: a falta de engajamento com a vida. 
sim, porque a vida demanda compromisso em todos os sentidos: precisamos viver e não passar por ela, enfrentar as dores, ir mais fundo, aquém dessa superficialidade que se colocou como norma. não, a felicidade não é ausência de dor, é saber enfrentá-la. assim como a vida não pode ser só festa porque isso é mentira e a vivência de experiências superficiais só nos infantiliza, criando adultos que prolongam uma juventude ridícula.
me enganei e isso dói. me enganei com você, você me enganou, você se enganou e se engana todos os dias. a vida segue porque ela sempre segue, mas dói ter tido esperança. dói entender que foi tudo ilusão. dói que você acorde comigo em pensamentos. as lembranças que tenho suas me acordam e ainda são meu bom dia.
a recuperação flui e não há volta. não quero seu deserto, sua esterilidade de sentimentos. eu quero vida e vida não é profusão, sentimentos efusivos e vazios. vida é dedicação, é alegria imanente, é o querer bem, é não se enganar, é viver de forma íntegra todas as experiências que o cotidiano traz,
ainda choro pensando em tudo o que foi, mas a medida em que me afasto torna-se claro de que você trazia no fundo do seu coração tudo aquilo que eu não quero pra mim.

domingo, 30 de outubro de 2016

Carta de despedida

Depois de 5 anos, me pergunto se é falta mesmo que sinto.
E, sinceramente, não é.
Acho que durante minha vida toda, seja por um desejo genuíno ou por uma criação social, esperei por um amor.
Depois de muito tempo, entendi que ele deveria estar em mim, que deveria me amar e me amei.
Me amei e aprendi que assim deveria ser.
Seguir me amando.
Mas o desejo do amor não morreu com o amor próprio e, de forma insistente, ele persiste, está lá, vivo da Silva, mandando lembranças.
Às vezes, por conta do que tivemos, associo-o à lembrança do que tivemos, que foi o mais perto do amor ideal que já cheguei.
E, por ser ideal, que se fez perigoso, se fez perene.
A gente está à espera de um milagre, li uma vez.
E é a espera desse milagre que me faz pensar em você.
Você que é um holograma.
Um homem insosso, um homem sem graça, sem viço ou tesão.
Que se esconde.
Que vive reaparecendo de maneira doentia, homeopática, quando já estou prestes a me libertar.
Aí vem o desejo de viver o sonho, o que não existe e me conecta ao irreal, que é você e toda simbologia que carrega.
Bom é que eu consigo enxergar essa sistemática hoje.
E a consciência me faz amar o real.
Entender que a esperança não pode ser confundida com ilusão ou exasperação.
Te ver como de fato é afasta esse espectro maligno de mim e me faz livre, com toda luta que isso carrega, para amar o que o futuro traz, ainda que por ora, seja a solidão.
Te ver como é me faz querer dizer adeus, meu bem.
Até nunca mais.
Nossas lembranças foram lindas, mas nada disso existe mais.
Não há um até logo. Há uma despedida e fim.
Você é só mais um homem apático, que perdeu sua coragem em determinado momento, que não esbraveja, nem se aplaca.
Você é um desses homens fracos e sem pulso.
Você é meu passado de quem me despeço.
Siga em paz com todas as suas mentiras indulgentes.
Siga o seu caminho e não me deixe nem com saudades.